Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007
A VILA DE SALVATERRA DO EXTREMO

   Sede dos paços do concelho de S.E.  

 

 SALVATERRA DO EXTREMO, uma vila da provincia da Beira Interior, Distrito de Castelo Branco, Concelho de Idanha a Nova, situada na margem direita do rio Erges (Elgas), primeiro afluente da margem direita do rio Tejo, no cimo de um monte formado por negra e musgosa penedia, Esta elevação é cortada a norte e a nascente, quase a pique ,por abruptos rochedos inacessiveis, ficando como fronteira  a esta posição o castelo de Peñafiel, que embora em ruinas com as suas seteiras, se ergue imponente em Espanha, na margem esquerda do rio Erges sob a Alcaideria de Zarza la Mayor.

 A sua história e origem remonta á idade da Pré e Proto História estando em si relacionada com o cariz religioso e necrológico da altura. Outrora chamada como Salvaterra as Beiras foi-lhe concedido o primeiro Foral por D. Sancho II em1229, a existência de um castelo como ponto de defesa geográfica do reino. Castelo de Salvaterra do Extremo

 

 Castelo de Peñafiel (lado Espanhol)

 

                                          MOMENTOS HISTÓRICOS RELEVANTES

 

Supõe-se que em 1165, a fortificação árabe de Salvaterra tenha sido conquistada pelos cristãos. Tendo em vista garantir a defesa e a segurança do reduto fortificado, este foi reconstruido como forma de castelo e doado á Ordem Militar de Calatrava (Aviz), no mesmo periodo tendo em vista vigiar e marcar uma posição de marco de fronteira face ao castelo de Salvaterra e á Ordem do Templo,o Rei de Leão D. Fernando II mandou construir, do outro lado do Rio Erges, sobre as ruinas da fortificada árabe de nome Racha-Rachel, o castelo de Peñafiel.

 Em 1211 os Almóadas atacam e conquistam os castelos de Salvaterra e de Peñafiel.

 No ano de 1226 Foi conquistado o castelo de Salvaterra aos Almóadas por tropas da Ordem do Templo sob comando do reino de Portugal. Como forma de reconhecimento D. Sancho II

doou á Odem do Templo, mais propriamente a D. Gualdim Pais (6º mestre do Templo em

Portugal), os termos e dominios de Idanha a Velha, outrora dominada pelos Romanos, onde ainda se pode ver algumas partes e construidas por si, bem como peças arqueológicas da sua cultura.

A 2 de Maio de 1229 D. Sancho II concede a Salvaterra o seu primeiro Foral, concedendo-lhe

privilégios e isenções derivadas dos serviços prestados ao Reino de Portugal, criando-se

assim o seu Concelho e Comarca.

 Em 1250 durante o reinado de D. Afonso III foi construida uma forte cerca de muralha envolvendo a povoação de Salvaterra.

 1296 face ás guerrascom Castela, D. Diniz, em consequência dos estragos sofridos, mandou reconstruir o castelo de Salvaterra e suas muralhas.

 Em 5 de Maio de 1319, por carta régia, o rei D. Diniz decidiu que a vila de Salvaterra da Beira

faria parte da Comenda de Santa Maria da Ordem de Cristo,cerceando assim a vila de Salvaterra de alguns dos previlégios e isenções adquiridos através do Primeiro Foral.

 Entre 1335/39 o castelo de Salvaterra participa na guerra com Castela. Por ordem de D. Afonso IV este viria a ser reparado em 1340, em virtude dos estragos causados por essa guerra.

 Em 1374  após a assinatura do tratado de Santarém por ordem expressa de D. Fernando I

o castelo de Salvatera foi totalmente reconstruido.

 1385 o Concelho de Salvaterra da Beira tomou partido de D. Beatriz (filha de D. Fernando I)

Esta convicção está fundamentada nofacto de o Conelho de Salvaterra não ter estado presente nas cortes de Coimbra de 1385, nas quais, o Mestre de Aviz foi aclamado Rei de

Portugal com o titulo de D. João I.

 Em 1 de Junho de 1510 é concedido a Salvaterra o seu segundo Foral, restituindo-lhe alguns dos previlégios e isenções abolidas aquando da constituição da Comenda da Ordem de Cristo em Salvaterra.

 A partir de 1578 Salvaterra da Beira passa a chamar-se Salvaterra do Extremo.

 Em 1643, a praça de Salvaterra foi conquistada pelas tropas leais a Portugal comandadas

por D. Sancho Manuel. A violência dos combates quando da sua tomada foi imortalizada por um quadro existente no Museu  Militar " sala da restauração ".

 Em 1648 ano da reconstrução das portas do Adro e de S. José e fortificação militar de Salvaterra é reparada e guarnecida de tropas.

 Em 165, o Sargento-Mor António Soares da Costa simulou um acordo para a entrega da praça de Salvaterra do Extremo e assim conseguiu atrair os miluitares espanhóis, convencidosestes que a tomariam sem confronto.

Ao entraem, desprevenidos, foram surpreendidos pelos militares da praçaque, sem contemplações, os matavam á medida que iam entrando, sem que os do extrior dessem conta. A certa altura e para por fim ao massacre, foi ordenado que se atasse um dos espanhóis á boca de um canhão e faze-lo disparar na direcção dos militares espanhóis

estacionados fora da fortaleza. Este acto de tal ordem violento e inesperado que as forças espanholas se retiraram para o outro lado da fronteira. Independentemente da interpretação

 dada, este acto foi na altura considerado uma traição e o governador da praça foi destituido

por ordem de El-Rei.

 GUERRA DA SUCESSÃO DE ESPANHA - CAMPANHA MILITAR DE 1700/1706.

  Nesta guerra o Marquês das Minas reconquista Salvaterra e nesta vila se decide, em conselho de Generais e em 25 de Abril, conquistar Madrid.

 GUERRA DOS SETE ANOS - CAMPANHA MILITAR DE 1762.

 GUERRAS PENINSULARES (1807/1811).

 Em 1827 (Campanha de  1826/27), as tropas estacionadas na vila, ajudaram a proclamar o absolutismo na região das Beiras.

 D. Migueldissolveu o parlamento, substituindo os Governadores de Armas das Provincias e exonerando os comandantes dos regimentos afectos ao regime constitucional, substituindo-

-os por outros da sua confiança. Na guerra civil que se seguiu (1828/1834). Salvaterra do Extremo tomou o partido de D. Miguel.

 Em 30 de Maio de 1834 foi decretado o fim dos Forais e dos dizimos e os enforcamentos passam a ser feitos no largo da praça junto ao Pelourinho.

 Em 1837 foram extintas todas as Comendas e Ordens religiosas, incluindo nessa extinção a Comenda de Santa Maria de Salvaterra do Extremo.

 Em 1846 a Praça Militar de Salvaterra é desguarnecida e desclassificada militarmente.

 TORRE DE ATALAIA.

 Supõe-se que no século IX tenha sido construida a Atalaia - Torre, ainda existente para os lados do Moinho do Seco, que permitiu á fortificação de Salvaterra do Extremo um novo ângulo de visão sobre eixos de aproximação vindos da fortificação Racha-Rachel em direcção ao Moinho do Seco.

 

Todo este trabalho de recolha e investigação foi a cargo de: sr. José Manuel dos Reis Vermelho Moreira e sr. Ramiro Oliveira Rodrigues- ambos cidadãos de Salvaterra do Extremo.

 

Este trabalho foi elaborado por: Alexandre Martins (pêpê)

 

    

 

 



publicado por runway às 22:20
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4 comentários:
De Bernar(dino) dos Santos a 19 de Março de 2008 às 19:33
Excelente !

Sou casado com uma Beirôa de Salvaterra e gosto muito desta Aldeia Histórica.

Este ano talvez vá por lá ao BODO.



De joão celorico a 3 de Maio de 2009 às 11:28
Caro conterrâneo,
só hoje vi este blog e , mau grado o esforço de quem fez esta resenha, deparei com algumas incorrecções, tais como:
1) Em 1226 D. Sancho II não pode ter dado o castelo de Salvaterra a Gualdim Pais uma vez que este já tinha morrido, em 1195.
2) Não parece crível que a haver, em Salvaterra, o Conselho de Generais com o Marquês das Minas ele tenha sido no dia 25 de Abril, uma vez que o Marquês saiu de Almeida com as tropas e só no dia 4 de Maio tomou Salvaterra. A reunião, a haver, foi depois disso certamente!
Melhores cumprimentos,
João Celorico


De Jorge Santos a 26 de Outubro de 2010 às 00:07
Caro Pêpê. Como aluno da Universidade Nova de Lisboa, e estando neste momento a realizar um trabalho de pesquisa sobre Salvaterra do Extremo,necessitava de saber que obras ou manuscritos foram usados no trabalho apresentado no seu blog, sobre a fortaleza de Salvaterra, cujos autores são os Snrs. José Manuel R V Moreira e Snr. Ramiro O. Rodrigues. Antecipadamente agradeço todo o auxílio que me puder prestar e congratulo-o pelo seu belo trabalho na feitura deste blog, que de há uns tempos para cá tenho seguido. Atenciosamente, Jorge Santos


De joão celorico a 28 de Dezembro de 2010 às 12:50
Caro Jorge Santos,
espero não ser indelicado mas vou responder ao seu comentário, já que neste blogue, infelizmente, os comentários parecem não ter resposta! Também eu gostaria de saber mais alguma coisa acerca de Salvaterra. Neste post já detectei algumas incorrecções e não obtive resposta. Desconheço o motivo.
Porém, se lhe puder ser útil, estou à sua disposição no meu blogue "Salvaterra e eu", www.salvaterraeeu.blogspot.com

Cumprimentos
João Celorico


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